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Pensamento do dia


"Como um viajante que erra o caminho e, assim que se apercebe, rapidamente retorna à estrada correta, assim também você continue a meditar sem se fixar nas distrações." (São Pio de Pietrelcina)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EU ENTREI NO SEMINÁRIO COM 11 ANOS

Pe. Reginaldo Manzotti concede uma entrevista exclusiva ao Zenit (parte II)

BRASILIA, sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012 (ZENIT.org).- O fundador e coordenador da  “Associação Evangelizar é Preciso”, Pe. Reginaldo Manzotti, concedeu uma entrevista exclusiva ao Zenit.
Publicamos para os nossos leitores a segunda parte dessa entrevista. Para ler a primeira parte da entrevista podem acessar clicando aqui.
***
Padre Reginaldo o senhor gosta de dizer que faz momentos de evangelização e não “shows”.
Olha, eu acredito muito na catequese. Não é um chavão, mas é um posicionamento meu: Um povo catequizado é um povo evangelizado, um povo evangelizado é um povo comprometido. E eu acredito que isso se deve muito à minha formação no seminário.
As vezes, fora do Brasil, existem pessoas que não entendem a nossa cultura e esse modo de evangelizar.
Olha, eu entrei no seminário com 11 anos. Tive uma vida dentro do seminário. A solidez da minha filosofia, a solidez da minha teologia... Eu digo sempre para os seminaristas: estudem muito! Eu digo muito para os compositores de música: mais do que compor, estudem para ter conteúdo nas músicas.
Então, eu percebi que quem critica o Brasil fora são pessoas que não nos conhecem. Você não pode pensar que, por exemplo, do ponto de vista de um europeu se dará a mesma abertura ou a mesma sensibilidade de um brasileiro.
E qual é a nossa característica?
Nós somos brasileiros. Nós somos daqueles que não vemos com os olhos. Nós vemos com as mãos, nós precisamos tocar. A nossa religiosidade é muito expressiva como religiosidade popular; nós precisamos de procissões, é da nossa cultura essa forma de expressar. Quando nós encontramos alguém não estendemos a mão, nós abrimos o braço para acolher.
Então, isso não pode faltar na nossa fé. Nós não podemos copiar o modelo europeu de evangelização porque o nosso povo é de sangue quente, o nosso povo é de calor humano, o nosso povo é de abraço.
E foi isso que tentou levar para os eventos?
Então, isso eu percebi e tento levar para os eventos. A roupagem pode ser diferente, mas o conteúdo, ele é fiél porque o conteúdo não é meu. Eu posso colocar no pacote, no embrulho, eu posso até colocar uma fita mais interessante, mas o conteúdo do presente é único, é da Igreja. E isso pra mim é precioso, isso é inegociável.
Qual foi o motivo que fez o senhor entrar no seminário com 11 anos?
Olha, eu entrei com 11 anos. O que me motivou foi a figura muito forte do pároco da minha paróquia, Cônego Sétimo Giancollo, um homem culto, comprometido, devotado ao sacrifício, um homem zeloso pela liturgia. E ele despertou em mim um desejo: puxa, esse homem é um exemplo! Deus se usou dele para despertar em mim esse interesse.
Eu vim de uma família católica: meu pai vicentino, minha mãe do apostolado da oração. E é bem verdade que eu, com 11 anos, eu não tinha capacidade de discernimento, essa certeza de que eu “sei que vou ser padre”. Eu sentia uma inquietação. Com 11 anos eu encontrei uma revista e tinha uma propaganda de um seminário. Sem consultar minha mãe e nem falar pro meu pai, pois eu era o filho mais novo, o caçula, eu mandei uma carta.
E os seus pais?
Para grande surpresa da minha mãe, em outubro, aparece um padre alemão que, como promotor vocacional, foi me fazer uma visita. O problema é que eu não tinha contado para os meus pais. Quando eu cheguei da escola e o padre tava lá, foi uma surpresa para todos. Mas, no outro ano, em março, eu já estava no seminário.
Tive crises, tive que fazer um discernimento, tive que reconfirmar minha decisão, tive que fazer um processo de maturidade da vocação, mas isso é importante. Há alguns erros sobre isso.
Quais?
Primeiro erro: as pessoas acharem que vão para o seminário e de lá vão sair padre. Não. Seminário é processo de discernimento. Segundo: os padres estão meio que “acuados” hoje. O estigma que carregam no mundo é um estigma muito negativo: de pessoas problemáticas. Pelo contrário, eu tenho passado para a juventude algo diferente, que eu sou realizado como padre. Se eu nascesse de novo padre eu seria. E fico muito feliz quando escuto jovens de todo o Brasil que dizem assim: “padre, eu estou entrando no seminário”. Eu dou o maior apoio. “Padre, a partir do senhor, eu pensei em ser padre”. E eu quero ser um exemplo. Eu tenho minhas dificuldades, mas que bom que posso estimular na juventude o desejo do sacerdócio.
E é possível isso hoje?
E é possível sim. E eu acredito que o seminário é fundamental. Não sei se o seminário menor, mas os anos que se passam no seminário são preciosos. E se a pessoa entrou no seminário e não foi padre, tenho certeza de que será um bom cristão e um bom cidadão. Não foi de nenhum modo um tempo inválido para a sua vida. Todo o contrário. E serão luz no mundo.
O senhor criou um obra de evangelização: “Evangelizar é Preciso”. Como ela trabalha?
A obra Evangelizar é Preciso trabalha na gratuidade e na ajuda dos colaboradores. E gostaria de frisar bem isso: o padre Reginaldo Manzotti não cobra chachê para as suas apresentações. E eu rodo o Brasil e a única coisa que as pessoas ajudam é na ajuda de custo para hotel, comida e transporte. O padre Reginaldo não cobra cachê de apresentação. É na gratuidade.
Segundo: não aceitamos venda de bilheteria. No máximo levar 1kg de alimento, 1 litro de leite, ou um agasalho, ou alguma coisa que vai ajudar a comunidade local.
Terceiro: são 1060 emissoras de rádio. Não cobramos 1 real sequer porque é na gratuidade. Temos programas de televisão. As vinculações não cobramos nada. O nosso interesse não é ganhar dinheiro na evangelização, mas chegar no coração da família humana. Por que? Porque pelo rádio e pela televisão nós despensamos a pedida de licença pro síndico, pro porteiro.
E como as pessoas podem ajudar?
Então, como as pessoas podem ajudar? São pessoas que nos escutam, por exemplo hoje, nós tivemos 1 milhão de acessos na internet: http://www.padrereginaldomanzotti.org.br/. Hoje, além do Brasil, temos Japão, Estados Unidos, Europa, em diversos locais... E tudo na gratuidade.
Então, as pessoas que se interessarem em ajudar essa obra que é para a Igreja. Não é o padre Reginaldo Manzotti. É para a Igreja! Podem entrar no site e tem lá: quero me tornar um associado, ou ligar: (41) 8401-0909 e no dígito 1 deixa seu nome e telefone e nossa equipe retorna a ligação.
Padre, obrigado pela entrevista. Poderia deixar a sua benção para o Zenit?
Eu gosto muito do trabalho que vocês fazem. Zenit tem um trabalho maravilhoso e há anos que eu o recebo e leio todos os dias. A minha benção para Zenit e toda a sua equipe: que Deus lhes abençoe!
Por Thácio Siqueira

Formação: O Catecismo da Igreja Católica (Tema 02)

Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España
Tradução: Pe. Antônio Carlos Rossi Keller

TEMA 02: 
DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM: A REVELAÇÃO
INTRODUÇÃO:
Santo Agostinho é um dos santos mais notáveis que a Igreja já teve, e um dos homens mais sábios do cristianismo. Depois de uma vida separada de Deus foi batizado, chegando a ser bispo da cidade de Hipona, no norte da África. E escreveu muito e tem um livro especialmente sugestivo: As Confissões, onde conta a sua conversão e proclama o desejo de Deus inscrito no coração da criatura: "Tu és grande, Senhor, e muito digno de louvor: grande é o teu poder, e tua sabedoria não tem medida. E o homem, pequena parte da tua criação, quer louvar-Te. Tu mesmo o incitas a isso, fazendo que encontre suas delícias em seu louvor, porque nos fizestes, Senhor, para ti e nosso coração está inquieto até que descanse em ti".
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. O desejo de Deus no coração humano
O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, que foi criado por Deus e para Deus ; Deus não deixa de atrair o homem para si, e só em Deus encontra a paz, a verdade e a alegria, que não cessa de buscar. O homem é um ser religioso. Como dizia São Paulo na cidade de Atenas, " em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17,28).
2. O esquecimento ou negação de Deus
Mas o homem pode esquecer-se de Deus, e inclusive recusá-Lo ou negar Sua existência. Motivos? A ignorância, o rebelar-se contra o mal que se sofre ou se vê, as preocupações do mundo e das riquezas, o mau exemplo de alguns que se chamam cristãos, as idéias contrárias à religião... e a atitude do pecador que - por medo - se oculta de Deus e foge de seu chamado. Nenhum desses pretextos justifica o esquecimento ou a negação de Deus .
3. É possível conhecer a existência de Deus por meio da razão natural
O homem pode conhecer a existência de Deus por dois caminhos: um, natural, e o outro sobrenatural. O caminho natural para conhecer a Deus tem como ponto de partida a criação, quer dizer, as coisas que nos rodeiam. Somente com a luz da razão, o homem sabe que nem as coisas nem ele tem em si mesmos a razão de ser, porque tiveram princípio e terão fim: são seres contingentes, seres criados e dependentes. Por isso, através do que foi criado, o homem pode chegar ao conhecimento da existência de Deus, Criador, Ser necessário e eterno, causa primeira e fim último de tudo.
4. Deus vem ao encontro do homem
Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana. Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho, Jesus Cristo.
5. Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai
Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra Revelação depois de Cristo.
6. As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição
A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja.
7. A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé
Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete, professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as épocas.
8. Conhecer a Bíblia
A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura, destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos, e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".