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Pensamento do dia


"Como um viajante que erra o caminho e, assim que se apercebe, rapidamente retorna à estrada correta, assim também você continue a meditar sem se fixar nas distrações." (São Pio de Pietrelcina)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Real Madrid cede ante o mercado muçulmano e elimina a cruz do seu escudo

MADRI, 30 Mar. 12 / 03:03 pm (ACI - http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23399)

O jornal esportivo Marca confirmou que o Real Madrid aceitou eliminar a pequena cruz que desde 1920 o clube de futebol exibe em seu escudo para evitar conflitos na multimilionária construção de um complexo turístico-esportivo na ilha de Ras Al Khaimah, uma das sete que formam os Emirados Árabes Unidos, onde o Islã é a religião oficial.

A alteração –que afetará sua imagem exclusivamente nos países muçulmanos– foi confirmada ontem quinta-feira 29 de março no ato de apresentação do resort de luxo que custará uns um bilhão de dólares e abrirá suas portas em janeiro de 2015.

Conforme informa o diário Marca, as autoridades do clube cuidaram que "todos os detalhes" e decidiram "prescindir da cruz que há na coroa do escudo para evitar desta forma qualquer tipo de confusão ou más interpretações em uma zona onde a grande maioria de população professa a religião muçulmana".

A isto, o jornal El Economista acrescenta em sua edição de hoje que "todas e cada uma das imagens do escudo “merengue” apareciam modificadas: a cruz pertencente à coroa real espanhola havia sido apagada. Não é uma casualidade, é uma estratégia comercial".

"Alegam, além disso, que a cruz não pertence a seu escudo institucional, mas à coroa da Casa Real que outorga ao clube o título do mesmo nome e que foi outorgado por Alfonso XIII a princípios do século XX", acrescenta El Economista.

A decisão do Real Madrid despertou polêmica entre seguidores e rivais. Nas redes sociais abundam os comentários contra a medida. Os usuários lamentam que o clube tenha cedido à pressão do mercado árabe e recordam que na Espanha os muçulmanos têm plena liberdade para usar e exibir seus símbolos religiosos. Alguns inclusive ironizam perguntando se o clube ia mudar de nome suas estrelas Cristiano (que em português significa Cristão) Ronaldo e Angel (Anjo em português) Di María.

A humildade que desce rumo às alturas do Amor!

No processo do Cristianismo amar é dispor de si para o outro, é um exercício que está atrelado à imitação de Cristo, isto é, em nos assemelharmos à toda sua capacidade de amar sem reservas. Esta imitação, nem sempre é fácil, e só se torna possível à medida que caminhamos sinalizados pela a humildade. Para nos fazer entender esse caminho, tomo emprestado o olhar de um grande santo e doutor da Igreja, São Gregório, que sabiamente nos dizia que a “humildade é uma descida rumo às alturas do Amor.” De fato, é através do movimento destas duas virtudes que o Verbo se revela e visita nossa humanidade, tornando-nos capazes de amar. Capacidade singular que impulsiona o homem o tempo todo a contemplar o horizonte da alteridade no rosto e no coração do seu próximo.

Daqui a alguns dias viveremos a mística do Tríduo Pascal, e ali contemplaremos de perto o ápice da humildade de Jesus no alto do Calvário, Ele que “sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2, 8). Antes de segui-Lo por esse caminho redentor, receberemos d’Ele mais uma vez o fascinante chamado: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” – (Jo 13, 34) – este é o caminho sugerido a nós por Jesus ao término do lava- pés. “Dei-vos o exemplo, para que como eu vos fiz, também vos o façais”. (ibid., 15). “Agir do mesmo jeito”, eis o nosso chamado. Baseando-se não na força de uma ordem, mas em virtude da natureza e impulso do Amor para o qual fomos gerados.

É interessante perceber a riqueza de significados revelada minutos antes de deixar o mandamento do Amor, quando Jesus se inclina aos pés dos seus amigos para lhes lavar os pés. Dentre tantos significados traduzidos naquele cenário, o nosso olhar se prende à sua humildade. Todavia, não no aspecto do serviço, o que seria pertinente refletirmos, mas, a humildade como sinal redentor do seu Amor. Ao inclinar-se para lhes deixar limpos de toda a sujeira, o Bom mestre dirige-se ao “húmus”, à terra que se achava nos pés daqueles a quem tanto amava. Os latinos chamam esse gesto de “humilitas”, isto é, humildade. Com efeito, a expressão “humilde” tem sua raiz no vocábulo latino – “húmiles”- e a imagem de um servo inclinado à terra (húmus), amplia o seu significado. Ali com a humildade que lhe é própria, Cristo ao descer não alcança tão somente os pés daqueles homens, mas também os seus corações, elevando-os ao Seu Amor até o fim!

Queridos irmãos, o exercício do Cristianismo é isso. É um cenário no qual somos chamados o tempo inteiro a protagonizar em nossas relações uma “disposição ao outro”, por meio da humildade e do Amor. Penso que dessa forma a gente amplia o horizonte de sentido de nossos amores, amizades e encontros... De igual maneira também o horizonte de significado da nossa, vocação, missão e Igreja. Parece trocadilho, mas deste modo, acabamos realmente “descendo às alturas” do coração do outro, tocando aquilo que ele tem de mais belo e encantador: a capacidade de amar e ser amado.


Seu irmão, Jerônimo Lauricio.